Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, nas leituras que nos são apresentadas, somos convidados a refletir sobre a nossa relação com Deus, a fragilidade humana e a força do perdão. Na primeira leitura do livro de Gênesis, encontramos a famosa narrativa da queda do homem, onde o demônio, representado pela serpente astuta e sedutora, instiga a mulher a duvidar da palavra de Deus. Quando a serpente traiçoeira questiona o que Deus disse a Eva, somos levados a meditar sobre como anda nossa vida de oração, para que não sejamos enganados facilmente por essa mesma serpente.
O demônio não espera que caiamos para nos derrotar; ele está sempre à espreita, aguardando uma oportunidade. Por isso, devemos cultivar uma vida de oração sólida, para que não sejamos derrubados ou confundidos. A dúvida plantada no coração de Eva leva à desobediência. Atraída pela beleza e pelo desejo do conhecimento, ela cede à tentação e também faz com que Adão peque ao comer do fruto do bem e do mal. Assim, seus olhos se abrem não para uma nova luz; em vez disso, eles percebem sua nudez e se escondem de Deus. Muitas pessoas, ao pecarem, se escondem Dele. Não devemos fazer isso; mesmo quando é vergonhoso, devemos continuar em oração, ir à missa e buscar o sacramento da confissão.
A história nos ensina sobre a fragilidade humana diante da tentação. Quantas vezes somos semelhantes a Adão e Eva! Às vezes acreditamos que conhecemos melhor os planos de Deus. As promessas do mundo podem parecer atraentes, mas frequentemente nos afastam da verdadeira vida que Ele deseja para nós. Precisamos renunciar à nossa luxúria e aos bens materiais. Embora seja difícil, é melhor renunciar ao mundo do que passar a eternidade longe de Deus.
A desobediência não traz apenas separação de Deus; ela também provoca um peso na consciência que nos leva ao esconderijo. Isso é comum para cada um de nós. No entanto, a história não termina na queda; o salmo nos lembra da alegria do perdão: “Feliz aquele cuja falta é perdoada”. Temos um chamado à esperança e à reconciliação com Deus. Ao reconhecer nossos erros e trazer à luz o que está escondido em nosso coração, encontramos o amor divino que nos acolhe e perdoa.
No evangelho de Marcos, Jesus manifesta sua compaixão através de um milagre: ele cura um homem surdo e gago com um simples gesto. Impõe as mãos sobre seus ouvidos e diz: "Efatá", que significa "abra-te". Essa passagem nos lembra do sacramento do batismo, onde o sacerdote toca os ouvidos e a boca da criança com saliva para que ela possa ouvir e falar. Assim como Jesus abriu os ouvidos daquele homem para ouvir sua palavra e sua língua para falar, Ele também deseja abrir nossos corações para receber Sua graça.
A cura que Jesus oferece não é apenas física; é uma profunda transformação espiritual. Ele nos convida a ouvir Sua voz em meio ao ruído do mundo e a falar com fé e amor. Ao refletirmos sobre estas leituras, somos chamados a reconhecer nossas fraquezas e pecados. Mais importante ainda, somos convidados a confiar na misericórdia divina; o Senhor deseja nos libertar das correntes do pecado e da dúvida.
Portanto, neste dia, convido cada um de vocês a se permitir ser tocado por esta mensagem de amor e perdão. Que possamos confessar nossas faltas como fez o salmista: “Eu confessei o meu pecado”, sabendo que ao fazermos isso encontraremos um Deus que não apenas perdoa, mas também transforma nossas vidas. Que nossa oração seja uma súplica para que nossos olhos sejam abertos para ver a beleza da graça divina e nossos lábios soltos para proclamar as maravilhas do Senhor.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Mons. Davi melo |

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