Segunda-Feira, 30 de março de 2026.
Queridos irmãos e irmãs, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! (Para sempre seja louvado e sua mãe, Maria Santíssima!)
A linguagem do amor é a generosidade e, nas coisas divinas, o amor só nasce onde há fé. Por isso, se queremos que a nossa caridade para com Deus vá além do ordinário, não há melhor caminho do que reforçar continuamente a nossa fé na Sua Palavra.
Na liturgia, vemos Jesus descrever o que constitui o Seu servo. O servo do Senhor é o Seu escolhido. Por isso, a Escritura diz: "Ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama, nem levanta a voz, nem a faz ouvir pelas estradas."
Meus irmãos, Jesus nos chama todos os dias a sermos servos de verdade. Ele não quer aquele "servo de mídia", que só faz caridade para postar nos stories ou que publica passagens bonitas que não vive na realidade.
Jesus não chama aquele que — permitam-me parafrasear o Salmo — posta na internet e bate no peito para dizer: "O Senhor é minha luz e minha salvação". De que adianta postar que Ele é a nossa proteção se não vivemos o que Ele nos manda? Do que vale falar bonito se temos um coração endurecido que não enxerga o que Deus realmente quer de nós?
Jesus não deseja servos orgulhosos, que fingem que nunca caem. Ele deseja aquele que cai, que tropeça nas pedras do caminho, mas que se levanta e limpa suas feridas. Ele escolhe o servo humilde, aquele que às vezes não sabe falar direito, que é mais calado ou que acha que não tem talentos. Ele deseja o servo que "nem apaga o pavio que ainda fumega".
Quantas vezes vemos pessoas desmerecerem quem prega de um jeito simples, sem palavras difíceis? Mas diante de Deus, quem prega mais bonito? Aquele que usa palavras rebuscadas e vive com o coração de pedra, ou aquele que fala pouco, mas tem o coração transbordando de Deus?
Jesus nos chama todos os dias para a justiça. Ele nos ama, mesmo sendo nós tão falhos, e nos pega pela mão. Ele nos tira do caminho errado, nos livra do buraco quando estamos cegos e nos levanta para que possamos ajudar a abrir os olhos dos cegos e libertar os cativos das trevas.
E no Evangelho, vemos um dos momentos mais belos e o verdadeiro significado de ser servo.
Nos dias que antecediam a Páscoa, Jesus foi visitar Seus amigos em Betânia. Ali ofereceram um belo banquete a Jesus. Lázaro, que havia sido ressuscitado, estava à mesa. E então vemos Maria fazendo um dos maiores gestos de amor e serviço.
Ela pegou um vaso de perfume de nardo puro, que era caríssimo, e derramou sobre os pés de Jesus, enxugando-os com seus próprios cabelos. Que belo gesto! Ela, que no passado havia sido acolhida e salva por Ele, agora demonstrava sua gratidão com o mais belo gesto e o mais cheiroso dos perfumes. Ela reconheceu quem era o seu Senhor!
Que gesto corajoso! Ela não era rica, mas entregou algo de grande valor por puro amor. E nós? Quanto de nós teríamos a coragem de entregar o nosso melhor em sacrifício ao Senhor?
Trazendo para os nossos tempos, esse "perfume" não precisa ser algo material. Pode ser algo que guardamos trancado em nosso coração, como o perdão, o carinho, ou o amor por aquela pessoa que precisa de um abraço. Às vezes somos tão orgulhosos que nos tornamos incapazes de fazer um gesto simples de caridade.
Pior ainda: às vezes agimos como Judas Iscariotes. Ao ver o gesto de amor de Maria, Judas vestiu a pele de cordeiro, a pose de "bom moço", e criticou: "Por que não se vendeu este perfume para dar aos pobres?". Mas a própria Palavra nos alerta que Judas não se importava com os pobres; ele era o tesoureiro e roubava o que era colocado na bolsa.
Jesus repreende essa falsa virtude dizendo: "Deixa-a; ela fez isto em vista do dia de minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis".
Com isso, Jesus nos ensina: o servo verdadeiro, de coração sincero, O terá para sempre dentro de si. Mas o servo de mentira procurará a Deus e não O achará. Tentará procurá-Lo nas ilusões do mundo, na superficialidade da internet, e não O verá, porque o seu coração está perdido. Enquanto não buscarmos um encontro real e não tentarmos ser servos de verdade, não O encontraremos.
Que nós hoje, possamos — como Maria — ser servos por amor. Daqueles que diminuem para que o Senhor cresça. E que nem mesmo diante das dificuldades percamos o Seu coração e nos esqueçamos do Seu rosto tão amado.
Amém!

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