Cremos na Caridade: Cremos no Cristo, o Redentor dos Homens
Sermão inspirado na espiritualidade e no estilo pastoral de Dom Mário Zanetta
Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Cristo, nosso Redentor, esteja com cada um de vocês.
Hoje nos reunimos para contemplar uma verdade que, embora tão simples, carrega em si toda a força e a beleza do Evangelho: “Cremos na caridade; cremos no Cristo, o Redentor dos homens.”
Não são apenas palavras. São uma profissão de fé, uma regra de vida, um caminho de santidade. São como o sopro suave de Deus que se deita sobre nossa alma e reacende em nós a compaixão, a esperança e a certeza de que não estamos sozinhos na história.
Quando proclamamos que cremos na caridade, estamos dizendo que confiamos no amor que brota do coração de Deus. Quando afirmamos que cremos no Cristo Redentor, estamos reconhecendo que este amor tem um rosto: o rosto de Jesus, que desceu até a humanidade para elevá-la à dignidade dos filhos do Pai.
Hoje desejo que meditemos juntos, com calma e com o coração aberto, sobre esse lema que tanto diz à Igreja, tanto disse ao episcopado de Dom Mário e que continua ecoando nas vozes dos pastores que, como Dom Guido, guardam esta herança espiritual.
1. “Cremos na caridade”: a fé que nasce do coração que ama
A caridade não é apenas um gesto.
Não é somente um ato de ajuda, de solidariedade ou de bondade.
A caridade é, antes de tudo, uma presença: a presença do próprio Deus dentro de nós.
São João nos lembra: “Deus é amor”.
E quando Deus habita uma alma, essa alma naturalmente transborda aquilo que recebe.
Quando dizemos “cremos na caridade”, estamos afirmando que acreditamos que o amor é mais forte do que as sombras do mundo; que o amor tem a última palavra; que o amor de Deus, derramado em nossos corações, é capaz de transformar aquilo que parecia sem vida, sem direção e até sem esperança.
A verdadeira caridade exige paciência, firmeza, ternura e verdade.
Ela não se apressa em julgar, não se cansa de esperar, não desiste das pessoas, porque sabe que cada pessoa é uma história preciosa nas mãos do Criador.
Dom Mário costumava lembrar que “a caridade abre portas onde a dureza só levanta muros”.
E este é um ensinamento que precisamos carregar no cotidiano:
não é falando mais alto que mudamos o mundo, mas amando mais profundamente.
2. A caridade que se faz caminho: servir como Cristo serviu
O amor que professamos não pode ser apenas sentimento.
A fé que acreditamos não pode viver somente no pensamento.
Caridade é movimento, é gesto, é decisão.
Jesus não se limitou a dizer que amava.
Ele lavou os pés, tocou os feridos, sentou-se entre os pobres,
perdoou os culpados, acolheu os que ninguém queria acolher.
Ele se fez caminho para que nós aprendamos, com Ele, a andar ao lado daqueles que a vida deixou pelo acostamento.
Dom Mário — como tantos pastores que abraçam com honestidade o Evangelho — nos ensinou que a Igreja só é verdadeiramente de Cristo quando se coloca “de joelhos para adorar” e “de pé para servir”.
Caridade é uma forma de enxergar o outro como Cristo nos enxerga:
não pelo que falta, mas pelo que Deus sonha para aquela vida.
3. “Cremos no Cristo, Redentor dos homens”: a caridade que vem da Cruz
Toda caridade verdadeira nasce de um lugar: o Calvário.
É na Cruz que Cristo nos revela o amor que não retrocede, que não recua, que não nega, que não se contradiz.
Ali, suspenso entre o céu e a terra, Ele abraça a humanidade inteira:
abraça o pecado sem ser contaminado por ele,
abraça a dor sem perder a esperança,
abraça o mundo para que ninguém se sinta órfão da misericórdia do Pai.
Quando professamos que cremos no Cristo Redentor, estamos dizendo que encontramos n’Ele nosso porto seguro, nossa luz e nossa força.
Ele é o sentido da nossa fé, o motivo da nossa esperança e a medida da nossa caridade.
Cristo não nos amou porque éramos dignos.
Ele nos amou para que nos tornássemos dignos.
Por isso, aquele que se deixa tocar pelo Redentor não teme recomeçar, não teme cair e levantar, não teme ofertar sua vida em pequenos e grandes gestos de dedicação.
4. Uma Igreja que vive da caridade e pelo Redentor
A Igreja que nasce da Cruz é a mesma que se sustenta no amor.
A Igreja que proclama Cristo Redentor não pode permitir que a indiferença ocupe o espaço que pertence à misericórdia.
Uma comunidade que ama verdadeiramente:
- escuta antes de falar;
- acolhe antes de exigir;
- orienta sem humilhar;
- corrige sem perder a ternura;
- denuncia injustiças sem deixar de anunciar a esperança.
A caridade não enfraquece a verdade: ela a ilumina.
A caridade não anula a doutrina: ela a encarna.
A caridade não substitui a fé: ela a manifesta.
5. Cremos na caridade porque cremos em Cristo
Não existe caridade cristã que não brote do Evangelho.
Não existe amor verdadeiro que não passe pela escuta de Jesus.
E isso é belo, porque não nos deixa perdidos.
A caridade não é invenção nossa: é dom de Deus, é obra do Espírito,
é marca daqueles que já deixaram Cristo entrar no coração.
Dom Mário gostava de repetir que “quem ama, evangeliza; quem crê, transforma; quem vive em Cristo, torna-se testemunha da luz”.
Este é o chamado que ressoa hoje também para nós.
Conclusão: O amor que nos envia
Meus irmãos, minhas irmãs:
neste mundo tão dividido, tão ferido e tão carente de sentido, nossa missão não é pequena.
Mas também não é impossível.
Cristo não nos envia sozinhos.
Ele caminha conosco, carrega conosco, sofre e se alegra conosco.
Se hoje, com humildade, repetimos o lema:
“Cremos na caridade; cremos no Cristo, o Redentor dos homens”,
que seja para nos lembrarmos que:
- acreditamos no amor que salva;
- confiamos na misericórdia que renova;
- e caminhamos na fé que sustenta.
Que possamos ser, no cotidiano mais simples, sinal dessa caridade redentora:
no olhar que acolhe,
na palavra que levanta,
no silêncio que escuta,
no perdão que cura,
no gesto que aproxima.
A caridade é a nossa força.
Cristo é a nossa fé.
E o amor de Deus é o nosso destino.
Oração Final
Senhor Jesus Cristo, Redentor dos homens,
Tu que nos revelaste o amor do Pai e fizeste da Tua vida um dom para todos,
derrama sobre nós o Teu Espírito de caridade.
Faz nascer em nossos corações um amor paciente, firme e verdadeiro.
Ensina-nos a ver em cada pessoa o Teu rosto sagrado.
Guarda-nos na humildade, na mansidão e na esperança.
E que, sustentados pela Tua graça,
possamos proclamar com a vida aquilo que hoje professamos com os lábios:
cremos na caridade, cremos em Ti, Cristo Redentor.
Amém.
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